Os Guardas Keystone e o Espírito Religioso - Kris Vallotton

Setembro 13, 2015

Há alguns anos atrás, eu tive uma situação que me fez lembrar muito a mentalidade da “Scripture Police” quando voámos de um aeroporto em Modesto, Califórnia. A Kathy e eu chegámos ao aeroporto duas horas antes, muito relaxados e com um bom humor. Ao entrarmos no aeroporto, eu examinei o interior do edifício pequeno e reparei que so havia um balcão situado a seis metros da porta principal.

Atrás do balcão estava um jovem alto, magrinho, no entanto, com um ar um pouco ingénuo. O uniforme da sua empresa era alguns tamanhos acima para ele, o que me fez pensar se ele era um novo funcionário. À frente do balcão estava um conjunto de mesas portáteis com dois guardas de segurança do aeroporto atrás para analisar as bagagens das pessoas. Isto fazia com que as mesas estivessem no meio da sala de espera. Ambos os guardas eram bem grandes, homens de meia idade com as suas barrigas pairadas pelo cinto. Eles parecem ser aquele tipo de homens que tu conheces que obviamente passaram a infância a ver filmes policiais e mal podem esperar para terem uma arma na sua cintura.

Os passageiros olhavam com horror enquanto os seguranças tiravam cada peça de roupa de cada mala; espalhando-as pelas mesas à frente deles como se a pessoa fosse um criminosa procurada pelo FBI. Sutiãs e roupa interior eram separadas em montes em cima das mesas, tal como outros artigos pessoais (que eu não vou mencionar aqui). Graças a Deus, só havia dois passageiros no aeroporto naquela altura; um sentado na sala de espera, outro em pé perto do balcão à nossa frente.

Nós ficámos na fila durante 20 minutos à espera enquanto o jovem rapaz, obviamente, inexperiente, representante da companhia aérea remexia nervosamente, tentando imprimir o bilhete para o passageiro. Eu já conseguia sentir a frustração a crescer dentro de mim. “Que incompetente,” Eu sussurrei para a Kathy. Ela olhou-me com desaprovação e encorajou-me a sentar na sala de espera, (que era apenas a uns metros do balcão), enquanto ela assegura o lugar na fila. Eu sentei-me suspirando e a olhar zangado para o que estava a acontecer. Outros 15 minutos passaram e finalmente foi a nossa fez de irmos ao balcão. Eu levantei-me e juntei-me à Kathy para aquilo que estava para vir. O representante da companhia aérea olhou detrás do balcão com um ar tímido e disse, “Vocês têm de ter as vossas malas revistadas antes de virem ao balcão.”

Eu não podia acreditar! Nós esperámos 35 minutos na fila só para nos dizerem que as nossas malas têm de ser revistadas primeiro. Não havia qualquer sinal sobre o procedimento, e estando apenas três clientes no aeroporto inteiro, ninguém foi capaz de nos dizer alguma coisa. Eu estava prestes a explodir quando a Kathy tocou-me no braço, e disse ao jovem rapaz, “okay senhor, nós voltamos já.” (Eu sabia que o toque dela significava, “Fica calado. Eu trato disto!”).

Nós levámos a nossa bagagem para as mesas onde os dois seguranças estavam a olhar com ar de sargentos da tropa. Um dos guardas mandou-nos com um tom sério colocar as malas em cima da mesa. Eu estendi a minha mão para abrir a minha mala e fui severamente repreendido, “Para trás e sente-se até que tenhamos acabado.” Uau, eu pensei para mim mesmo, dá-lhe um distintivo e ele pensa que é o Dirty Harry!”

A Kathy e eu sentámos juntamente com outros três passageiros enquanto os polícias Keystone remexiam as nossas malas. Eles tiraram cada artigo da nossa bagagem (incluindo roupa interior), inspeccionando meticulosamente e colocando-as em cima da mesa enquanto nós víamos em total constrangimento. Mais vinte minutos passam e agora a Kathy já se tinha juntado a mim em justa indignação. Finalmente, assim que eu me levantei e andei em direcção às mesas para refilar com eles, os guardas deram as nossas duas malas ao representante da companhia aérea através de uma abertura no balcão.

O representante pediu para nos dirigirmos ao balcão. Nós demos-lhe os nossos cartões de identificação e a nossa informação sobre a viagem. Depois, eu fiquei ali à espera zangado enquanto ele olhava atentamente para o ecrã do computador durante quase 20 minutos, sem olhar para cima. De vez em quando ele escrevia alguma coisa e depois murmurava algumas coisas como “hum…ahh..ohh..possas…” A Kathy conseguia sentir o vulcão prestes a explodir dentro de mim, por isso, ela começou a fazer festas no meu braço para me acalmar. “Isto é ridículo!” Eu disse à Kathy, suficientemente alto para ele ouvir. Por fim, a impressora ressuscitou atrás dele e eu comecei a ficar um pouco mais aliviado. Por alguma razão, ele imprimiu as etiquetas das malas primeiro e com cuidado meteu-as nas malas. Sem olhar para cima, com nervosismo ele recuou ao olhar para o computador como se estivesse a ver um filme de terror. Mais uns minutos se passaram e eu comecei a ficar ainda mais impaciente. Ele continuou a pressionar os botões do teclado e a olhar para a impressora. Por fim, (como se fosse o último esforço) ele chamou o homem da limpeza para o ajudar. Sem fazer qualquer contacto visual connosco ele murmurou, “alguma coisa está errada com a impressora dos bilhetes… esta porcaria não imprime”! Os dois abaixara-se atrás do balcão sussurrando um com o outro, enquanto pressionavam teclas do teclado.

Até agora, quase uma hora e meia já tinha passado e o nosso avião estava no terminal à espera. O jovem rapaz, representante da companhia aérea, olhou para cima e disse num tom a revelar a sua ansiedade, “Eu acho…nós não temos outra escolha…nós temos de chamar a linha de suporte técnico.” Ele remexia por todo o lado à procura do número de telefone e finalmente fez a chamada. Demorou vários minutos para que alguém atendesse e depois colocaram-no em linha de espera. Ele ficou atrás do balcão a olhar para a impressora. Mais uns quantos minutos passam… Eu senti-me como se pudesse subir paredes. Por fim, alguém atendeu e ele começou a descrever o problema.

“Sim…umm…é isso mesmo eu não consigo fazer com que esta coisa imprima! Yeah, eu tentei isso… okay, okay deixa ver se isso funciona”, ele continuou.

Com uma mão a segurar o telefone e a outra a pressionar uns quantos botões no teclado.

“Não…não fez nada! Oh não! A sério! Não há mesmo nenhuma outra maneira de arranjar isto? Okay…está bem então, parece que chegou a isso! Muito bem, adeus,” ele disse enquanto desligava o telefone.

Ele levantou a cabeça e olhou para mim. Ele parecia que tinha visto um fantasma! “Bem,” ele disse (parecia que ele me ia dizer que tinha cancro), “Nós temos de desligar o sistema inteiro e voltar a ligar para poder arranjar o problema!”

“Estás a gozar,” Eu disse sarcasticamente.

“Não senhor, não há mesmo maneira de arranjar isto,” ele disse tão sério como um ataque de coração.

Ele abaixou-se outra vez atrás do balcão e encontrou a fixa atrás do computador. Com muito cuidado, ele desligou a fixa como se estivesse a tocar numa bomba. Ele contou devagar até 30 em voz alta e depois ligou a fixa outra vez. O ecrã apitou e a impressora começou a trabalhar como se tivessem ressuscitado. Com muita timidez, ele olhou para o ecrã do computador enquanto este reiniciava. Os seus olhos brilhavam como se ele tivesse boas notícias. Ele voltou a colocar as nossas informações no computador perguntando as mesmas perguntas às quais nós já tínhamos respondido 40 minutos antes. Hesitando, ele carregou no botão e a impressora começou a imprimir os nossos cartões de embarque. Ele cuidadosamente examinou os nossos bilhetes e verificou se eles coincidiam com as etiquetas das bagagens.

“Oh não!” ele disse com um ar surpreso na cara.

“O que é?” Eu respondi com uma voz zangada.

“O cartão de embarque e as etiquetas de bagagem não coincidem,” ele murmurou. “A bagagem deve ser toda verificada com um intervalo de vinte minutos com os cartões de embarque,” ele continuou.

“Perdeste a cabeça? Tu só podes estar maluco!” eu gritei. “Tu tens estado com a bagagem na tua posse desde que foi revistada!” Eu protestei.

“Peço desculpa, senhor! São as regras. Eu não as faço senhor, eu apenas as sigo,” ele respondeu, enquanto entregava as malas de novo aos seguranças.

Até agora, os outros passageiros já estavam no avião à nossa espera. O meu nível de fúria subiu ao máximo. Eu não podia acreditar o que os meus olhos estavam a ver! Os seguranças pegaram nas malas, abriram-nas e começaram a tirar tudo para fora outra vez!

“Vocês não podem estar a falar a sério,” eu disse com uma voz séria aos polícias Keystone. Vocês acabaram de ver a minha bagagem, há trinta minutos atrás! O que é que se está a passar neste lugar!” implorei zangado. Agora, a Kathy estava a fazer o seu melhor para me manter calmo, mas eu não queria ouvir.

“Afaste-se da mesa, senhor! As Leis de Segurança Interna dita que devemos revistar a vossa bagagem outra vez,” um dos seguranças insistiu enquanto inspeccionava cada peça de roupa da nossa mala.

O representante da companhia aérea olhou para nós com stress evidente em toda a sua cara e disse, “Vocês têm de embarcar, senão o avião vai partir sem vocês! Eu não acho que vamos ter tempo de colocar as vossas malas no avião. Nós vamos mandá-las no próximo voo.”

“Este avião não se vai embora sem nós estarmos nele e eu não me vou embora sem a minha bagagem! Nós estivemos aqui duas horas enquanto vocês brincavam com as nossas bagagens e os nossos bilhetes. Agora, dá-me a minha bagagem e põe-nos naquele avião,” eu exigi.

O representante da companhia aérea e os seguranças estavam ambos a olhar atentamente para mim. Mas eu não lhes dei um pouco de importância. Eles sussurraram algo um com o outro e depois meteram as nossas coisas de volta na mala e levou-nos para o avião. Eu tenho um pressentimento de que nenhum daqueles homens queria chamar a polícia e contar-lhes a nossa história.

Olhando para trás agora, a história é meio cómica, mas faz-me lembrar muito de como o espírito de religiosidade se relaciona com a Bíblia. O espírito de religiosidade expõe as fraquezas, descompacta as nossas vulnerabilidades, assume o pior, não confia em ninguém, e anda à procura do diabo em cada mala. Este espírito farisíaco protege as regras acima dos relacionamentos. As pessoas debaixo dessa maldição tem uma mentalidade de escravo, o que os inibe de pensar nas ramificações da aplicação da verdade. O conceito de relevância situacional ou aplicação contextual é vista como se estivéssemos a degradar a Palavra de Deus. Tal como os meus amigos no aeroporto que se recusaram a questionar o espírito da lei, mas em vez disso, insistiram em revistar a nossa bagagem outra vez (apesar de as malas terem estado sob o controle deles o tempo inteiro) a “Scripture Police” despreza qualquer pessoa que acredita que o contexto dita a definição da Bíblia.

O facto é que sem perceber o coração de Deus e sem acreditar no contexto cultural das escrituras, só há uma outra opção para explicar as muitas passagens que se contrastam; a Bíblia contradiz-se a si mesma! É verdade! A Polícia Teológica que corre à volta a gritar, “Nós acreditamos na Bíblia! Nós acreditamos na Bíblia inteira! Nós acreditamos em cada palavra que a Bíblia diz,” na verdade nunca pensou sobre as ramificações desta proclamações. Eles estão debaixo da ilusão de que aplicar literalmente cada palavra da Bíblia em todas as situações universalmente, é praticar o que o apóstolo Paulo exortou a Timóteo quando ele lhe disse, “Prepara-te para te apresentares diante de Deus de uma maneira que lhe agrade, como um trabalhador que não tem que se envergonhar e que proclama a palavra da vida com rectidão,” (2 Timóteo 2:15). Na verdade, é impossível aplicar cada Escritura de forma universal. Antes de tu jogares o livro fora, deixa-me explicar. Deus escreveu a Bíblia através de quarenta autores inspirados com a intenção de que o Espírito guiará a pessoa na leitura. A palavra de Deus sem o Espírito de Deus provoca morte! Paulo coloca isto, desta forma; Jesus nos fez “…capazes de ser ministros do novo testamento, não da letra, mas do Espírito, porque a letra mata, e o espírito vivifica,” (2 Coríntios 3:4). Por esse motivo, a Bíblia é escrita de uma forma que tu precisas do Espírito de Deus para saber como aplicar a Palavra de Deus.

Excerto do livro “Fashioned to Reign.”

 

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