Livre de Tormento - Kris Vallotton

Setembro 6, 2015

Uma noite, exausto de uma longa, semana dura de trabalho, eu deitei-me na banheira para relaxar o meu corpo cansado enquanto a Kathy estava deitada no sofá mal-disposta por causa da gravidez. Mais ou menos uma hora depois, eu comecei a sair da banheira para me secar. Mas quando eu me levantei, um pensamento intenso arrebatou-me: Eu vou morrer!

Tal como todas as pessoas no mundo, os maus pensamentos não eram estranhos para mim, mas este era diferente. Este pensamento era tão forte que fez com que pânico flui-se por todo o meu corpo como uma manada de bois! Todo o meu corpo começou a tremer enquanto o meu coração batia com mais força e a minha pulsação acelerava incontrolávelmente. Todas as minhas forças dos meus membros desapareceram, e eu não conseguia sair da banheira. Eu caí para dentro de água, gritando desesperadamente pela Kathy para me ajudar. Grávida de oito meses, ela conseguiu sair do sofá, apressou-se para a casa de banho onde eu estava deitado impotente, cheio de medo e branco como um fantasma. Eu mal podia falar, mas balbuciei algumas coisas sobre ter um ataque de coração. Ela esforçou-se para me ajudar a sair da banheira e levou-me para o sofá. Depois, ela correu para a cozinha e chamou o nosso médico de família, que era nosso cliente na loja de carros. Ele perguntou-me algumas coisas através da Kathy e concluiu que eu estava a ter um ataque de pânico, não um ataque cardíaco. Mal sabia eu que isto seria o começo de uma viagem pelo inferno de três anos e meio.

Uma Tour pelo Inferno e um Clamor pelo Céu

Aquele primeiro ataque de pânico iniciou um medo constante em mim. Ir para o trabalho tornou-se muito difícil. Era necessária toda a força que eu conseguia reunir para poder sair da cama a cada manhã. Durante o dia na loja, altos níveis de ansiedade arrebatavam a minha alma como ondas a baterem na costa durante uma violenta tempestade. Era tudo o que eu conseguia fazer só para me concentrar no trabalho. Por mais difíceis que os dias fossem, as noites era muito piores. Os ataques de pânico continuavam, tornando-se em pesadelos atormentadores sem fim. Imagens horríveis enchiam a minha mente enquanto eu imaginava coisas terríveis a acontecerem-me ou imaginava-me a mim mesmo a fazer actos terríveis. Apesar de eu saber no meu coração que estas imagens e pensamentos eram ilusões, eles pareciam bem reais. Eu muitas vezes perguntava-me se eu estava a perder a cabeça. Eu não conseguia dormir muito e encharcava os lençóis de suor todas as noites.

Poucos meses depois deste meu calvário, a nossa filha Jaime nasceu. A Kathy e eu estávamos animados por termos o nosso primeiro filho, mas o adicionar do stress do bebé intensificou a minha batalha. A Kathy foi incrível durante tudo isto; levantar-se diversas vezes durante a noite para cuidar da bebé ou para me confortar é mais do que a maior parte das mulheres consegue suportar, mas a Kathy raramente era abalada. Eu só posso concluir que Deus lhe deu uma graça especial para a batalha. Ela foi um consolo na tempestade, uma força de paz em cada situação problemática.

Nenhum Alívio à Vista

Um ano passou sem qualquer alívio. Finalmente, a Kathy e eu decidimos desistir dos nossos trabalhos e mudarmo-nos para as montanhas para encontrar uma vida mais sossegada. Nós fomos para Lewiston, California, uma cidade com mais ou menos novecentos habitantes que viviam nos Trinity Alpes. Viver no deserto foi definitivamente mais sossegado do que o tráfego completamente caótico da cidade que nós deixámos para trás. Mas descobriu-se que isto só serviu para aumentar a minha consciência sobre a corrida de ratos que estava a acontecer dentro de mim.

À medida que o tempo passava, o medo intensificava, afectando cada aspecto das nossas vidas. Eu tornei-me claustrofóbico de tal forma que eu tinha de ter as janelas do carro abertas enquanto eu conduzia (até no inverno), para que eu não entrasse em pânico. Apesar de a minha personalidade ser extrovertida por natureza, eu isolei-me e nunca queria estar com pessoas ao redor. Quando amigos vinham-nos visitar, eu mandava a Kathy despachá-los. Eu não conseguia estar em multidões, o que eliminou as idas às compras, restaurantes, cinema, ou fazer qualquer coisa em público. Apesar de eu ter continuado a frequentar a igreja, eu sentava-me na parte de trás e levantava-me várias vezes para ir à rua durante cada reunião, para reduzir a ansiedade de estar perto de um grupo de pessoas.

Fiel à forma, a Kathy continuou a levar tudo com muita calma e em passo largo. Apesar de ela ser nova, de alguma forma, ela possuía uma fé extraordinária de que nós iríamos vencer isto. Olhando para trás, eu consigo ver como é que Deus a preparou desde pequenina para este tempo. A mãe da Kathy tinha epilepsia severa e sofria quarenta a cinquenta crises ou convulsões por mês. Com o pai dela fora de casa o tempo inteiro, a Kathy era a única que ficava em casa depois da escola a cuidar da mãe. Mesmo sendo uma jovem menina, ela tornou-se uma força estabilizadora na família. Eu agradeço a Deus por ela ter trazido a mesma dinâmica para a nossa relação.

Ataques Terroristas e uma Fuga da Prisão

Nós abrimos uma pequena oficina em Weaverville, California, uma cidade a trinta e dois quilómetros de Lewiston. Apesar de o negócio ser bom, as finanças estavam apertadas. Nós levantávamos quase todas as manhãs bem cedo, colocava-mos a Jaime no carro, e íamos à pesca de comida no rio da rua abaixo da nossa casa. Fazer a transição de dois salários significativamente bons na cidade para viver com um baixo salário na natureza foi um choque cultural para nós. (O estilo de vida, A Pequena Casa na Pradaria, é definitivamente sobrestimado!)

Mais dois anos se passaram e nada aliviou. Depois, quando eu pensava que já não podia ficar pior, eu comecei a ter visitações demoníacas. Demónios literalmente vinham ao meu quarto durante a noite para me atormentar. Luzes ligavam e desligavam-se, e fotografias caíam da parede, do nada! O telemóvel tocava várias vezes com pessoas a dizer coisas malucas do outro lado da linha. Eu estou ciente de que muitas pessoas não acreditam em espíritos, demónios e anjos, por isso este parágrafo pode ser um pouco difícil de engolir. Mas se tu estás a ler este livro e já tiveste ou tens tido estas experiências, eu espero que acredites agora.

Três Anos de Inferno

No terceiro ano desta terrível tempestade, a Kathy já tinha tido a nossa segunda filha linda, Shannon, mas a minha vida começou a ser insuportável. O stress fez com que o meu equilíbrio enlouquecesse, fazendo com que eu tivesse náuseas o tempo inteiro. A comida passava pelo meu corpo; eu tinha continuamente diarreia. Eu amava tanto a minha família, mas o meu tormento interior era tão intenso que eu não queria viver mais. Eu não me ia matar; eu apenas pensei que a minha família estaria muito melhor se Deus me levasse e a Kathy encontrasse um marido “normal”. Eu clamei a Deus repetidamente, mas Ele parecia tão distante . . . até mesmo indiferente. Parecia que o amor que eu tinha conhecido nos primeiros anos de caminhada com Deus tinha desaparecido, substituído por um medo intenso.

O Momento da Verdade

Depois, cedo numa manhã fria de inverno, algo começou a acontecer. Nós os quatro ainda estávamos a viver em Lewiston, e como de costume, eu não conseguia dormir. Eu acordei perto das 3h da manhã, enrolei-me num lençol e fui para a sala. Eu liguei a aparelhagem com volume baixo e deitei-me perto da coluna, para não acordar a minha família. Nós não conseguíamos muito boa recepção de rádio nas montanhas, mas eu pensei em tentar encontrar algum programa que me ajudasse a tirar a minha mente da minha condição.

Finalmente, eu sintonizei com um pregador. A recepção era tão má que eu só conseguia perceber cada terceira ou quarta palavra do que ele estava a pregar. No entanto, no meio de tanto barulho, eu ouvi-o dizer algo que mudou a minha vida para sempre. Ele citou a exortação que Paulo deu a Timóteo: “Pois o espírito que Deus nos deu não é de medo, mas sim de coragem, amor e bom senso.” (2 Timóteo 1:7, bpt09d). Depois ele continuou explicando, “O medo é um espírito! Alguns de vocês pensam que estão a tornar-se malucos, mas vocês estão somente a ouvir o espírito de insanidade! Nem todos os teus pensamentos são teus. Os espíritos malignos falam contigo através de pensamentos.”

Eu estava pasmado! Eu fui ensinado de que os Cristãos podem ser doentes mentais mas não podem ser endemoninhados. O que eu não percebi até aquela noite foi que eu fui educado completamente fora da minha solução.

Eu desliguei o rádio e perguntei a Jesus o que é que eu devia fazer. Imediatamente eu ouvi uma Voz dentro do meu espírito a dizer, “Tu tens estado a ouvir o espírito de insanidade e o espírito de medo. Diz-lhes para te deixarem agora mesmo!”

Deitado de costas no chão da minha sala, eu disse em voz baixa mas confidente, “Tu espírito de medo e tu espírito de insanidade, saiam de mim agora mesmo em nome de Jesus!”

Eu não conseguia ver nada, mas de repente eu senti algo a sair do meu corpo. Fisicamente, parecia como que um colete de chumbo, do mesmo tipo que usam nos raios X, estivesse a ser tirado de mim. O meu tremer parou completamente, paz encheu a minha alma e a minha mente estava limpa novamente. Alegria arrebatou a minha alma, e ri-me à gargalhada pela primeira vez em mais de três anos. Um milagre tinha acontecido na minha vida, eu estava ansioso por contar à Kathy e a todo o mundo sobre isto.

Uma das verdades fundamentais que eu aprendi durante a minha jornada é que nós somos novas criaturas em Cristo (vê 2 Coríntios 5:17) e, por isso, as nossas batalhas na vida nunca são com a nossa velha natureza. A nossa carne pode ser fraca (vê Marcos 14:38), mas já não é corrupta. O inimigo trabalha arduamente para nos convencer o contrário, para que em vez de o resistirmos, nós viramo-nos contra nós mesmos. Auto-sabotagem é o denominador comum de todas as formas de ansiedade e depressão, quer enraizada no corpo, alma ou espírito. O meu objectivo principal para este artigo é te ajudar a ganhar conhecimento sobre as formas como nós nos sabotamos a nós próprios, dar-te sabedoria sobre como nos libertarmos de padrões destrutivos, e transferir coragem para ti para encarar as batalhas reais da vida – batalhas essas que nasceste para ganhar!

O Senhor já te libertou de tormento? Eu gostaria imenso de te ouvir falar sobre isso nos comentários.

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